Tabela da Copa América de 1921


.:: Campeonato Sulamericano de 1921 ::.

5º Campeonato Sulamericano, Buenos Aires, Argentina

O Primeiro Título da Argentina

A Argentina, enfim, quebrou o jejum de títulos na Copa América em 1921, quando aproveitou o fato de ser sede e venceu as três partidas disputadas no Sportivo Barracas. A seleção terminou o torneio sem levar nenhum gol. Méritos para o goleiro Américo Tesoriere.
Pela primeira vez, a Copa América teve mudanças entre os participantes. O Paraguai jogou na vaga deixada pelo Chile, que alegou problemas administrativos na federação para não viajar para a Argentina. O argentino Julio Libonati sagrou-se o artilheiro, com três gols, um deles no último jogo que terminou com vitória do campeão por 1 a 0 em cima do Uruguai. Os paraguaios fizeram bonito na estréia e ganharam dos uruguaios por 2 a 1. O Brasil venceu apenas um jogo, contra o Paraguai, por 3 a 0. (Fonte: terra.com.br)

História:

1921 é um ano especial para o povo argentino. Pela primeira vez a seleção das pampas subia ao trono do futebol sul-americano após arrebatar a coroa de campeão continental. Um feito alcançado em Buenos Aires, o mesmo local onde cinco anos antes havia sido dado o pontapé de saída para aquela que é hoje a maior competição de seleções de todo o continente americano, a Copa América. Para a quinta edição do então denominado Campeonato Sul-Americano de Futebol uma novidade saltou à vista: a estreia do Paraguai. Orientados por um argentino, de nome José Durand Laguna, os paraguaios – que neste preciso ano de 1921 acabavam de filiar-se na FIFA – juntavam-se aos habituais Brasil, Uruguai e Argentina, substituindo a seleção do Chile, que devido a problemas internos na sua federação esteve ausente do campeonato. Paraguai que teve uma estreia de sonho na copa, já que no Estádio do Club Sportivo Barracas, o palco com capacidade para 30.000 pessoas que acolheu os seis encontros do certame, bateu por 2-1 nada mais nada menos do que os campeões em título, o Uruguai. Um dos responsáveis por esta autêntica surpresa foi um niño de 16 anos, Gerardo Rivas, que apesar da sua tenra idade assumia já o estatuto de grande estrela do selecionado paraguaio. Foi ele que aos 9 minutos abriu um marcador que seria ampliado já na etapa complementar por intermédio de Ildefonso López. O máximo que os atordoados uruguaios conseguiram fazer foi reduzir a desvantagem, através de um dos seus jogadores mais virtuosos, José Piendibene.

O certame havia sido aberto no dia 2 de outubro desse longínquo ano de 1921 pelos combinados da Argentina e do Brasil. Esta última seleção viajou para Buenos Aires desfalcada dos seus melhores futebolistas, desde logo a grande estrela do futebol brasileiro de então, Arthur Friedenreich, que não participou na copa por ser… mestiço! Mais uma vez o racismo voltava a evidenciar-se nas canchas do futebol sul-americano. A recusa do Brasil em levar alguns dos seus melhores jogadores, grande parte deles de origem negra, surgia como consequência de um cartoon que um jornal de Buenos Aires havia feito em 1916, por alturas da primeira edição do Campeonato Sul-Americano, em que os futebolistas brasileiros eram representados por macacos magricelas a saltar de galho em galho a fazer piruetas! Uma caracterização que ganhou fama, sendo que a partir de então os brasileiros passaram a ser apelidados de macaquinhos. Cinco anos volvidos, e preocupados com a imagem que o país passou a deter no exterior na sequência desta caracterização, o presidente da República de então, Epitácio Pessoa, convocou uma reunião com a Confederação Brasileira de Desportos onde recomendou que apenas poderiam representar a nação os futebolistas das famílias mais abastadas economicamente, e que fossem de pele clara e de cabelos lisos! É caso para dizer que não sabe quem era mais racista, se os argentinos ou se o próprio chefe da nação brasileira! De nada valeram os protestos da sociedade do Brasil, onde se destacou a voz do escritor Lima Barreto, também ele mestiço, sendo que a seleção ao ficar privada dos seus craques não fez uma grande figura na capital argentina. Ante a equipa da casa o Brasil sucumbiu por 1-0, com o tento dos alvi-celestes a ser apontado por aquele que viria a ser o melhor marcador e grande figura do torneio, Julio Libonatti. Neste encontro de estreia os comandados de Ferreira Vianna Netto atuaram durante 80 minutos com menos um homem, já que logo aos 10 minutos o avançado Nonô teve de sair do relvado por motivo de lesão.

Dez dias mais tarde o Brasil voltou a entrar em campo, desta feita para defrontar os caloiros do Paraguai. Mesmo sem realizar uma exibição convincente o escrete esmagou os paraguaios por 3-0, com golos de Machado (2) e Candiota, todos eles na primeira parte.
Por sua vez, o Paraguai mostrou que a surpreendente vitória de estreia ante o poderoso Uruguai havia sido, quiçá, um mero golpe de sorte, pois à má performance obtida diante do Brasil seguiu-se uma nova e modesta atuação ante os anfitriões. Libonatti, aos 43 minutos, abriu o caminho de uma vitória fácil por 3-0 dos argentinos que desta forma estavam a um pequeno passo de entrar para a história. Mas para o fazer a equipa do jogador/treinador Pedro Fournol precisa de vencer o vizinho e eterno inimigo da outra margem do Rio da Prata, o Uruguai, seleção que se recompôs da derrota inaugural com um triunfo curto mas importante sobre o Brasil. Dois golos de Ángel Romano, um dos principais jogadores dos charrúas, contra apenas um dos brasileiros, deram aos campeões em título um novo alento quanto a uma possível renovação do ceptro. Quanto ao Brasil despedia-se sem honra nem glória, ficando somente para a história as heróicas atuações do seu guarda-redes, Júlio Kuntz, performance que levou a que o maestro Francisco Canaro tivesse composto um tango em homenagem ao goleiro do Flamengo.

E no dia 30 de outubro o Estádio do Club Sportivo Barracas encheu para ver o encontro decisivo da copa. Aos argentinos um empate bastaria para celebrar o primeiro título continental da sua história, ao passo que uma derrota poderia dar o tetra à celeste. Contudo, os argentinos estavam dispostos a mudar o rumo da história, além de que contavam com um goleador em grande forma, Julio Libonatti, que aos 57 minutos apontou o único golo do encontro para gáudio do 30.00o espetadores presentes. Pelos seus golos Libonatti pode ter sido para muitos a chave do êxito argentino nesta competição, mas há que fazer igualmente uma referência ao guarda-redes alvi-celeste, Américo Tesoriere, que ao manter a sua baliza inviolável (!) deu um forte contributo para a conquista do título. Para a história do futebol argentino ficam os nomes de Florindo Bearzotti, Américo Tesoriere, Pedro Calomino, Aldolfo Celli, Jaime Chavín, Miguel Dellavalle, Raúl Echeverría, Alfredo Elli, José López, Vicente González, Julio Libonatt, Ernesto Kiessel, Juan Presta, Blas Saruppo, Emilio Solari e Gabino Sosa. Contudo, esta quinta edição ficou igualmente marcada pelo reduzido poder de finalização das quatro seleções em prova, já que somente 14 golos foram apontados em seis partidas. (Fonte: Museu Virtual do Futebol)

.:: Tabela do Torneio ::.
Brasil Argentina Paraguai Uruguai
2 de Outubro de 1921 – Campo do Sportivo Barracas, Buenos Aires – 20.000 pag
Argentina 1 x 0 Brasil
Jullio Libonatti, 27’ Jogo 1
9 de Outubro de 1921 – Campo do Sportivo Barracas, Buenos Aires – 12.000 pag
Paraguai 2 x 1 Uruguai
Gerardo Rivas, 9’
Ildefonso López, 66’
Jogo 2 José Piendibene, 83′
12 de Outubro de 1921 – Campo do Sportivo Barracas, Buenos Aires – 25.000 pag
Paraguai 0 x 3 Brasil
Jogo 3 Machado, 21′
Machado, 44′
Candiota, 70′
16 de Outubro de 1921 – Campo do Sportivo Barracas, Buenos Aires – 25.000 pag
Argentina 3 x 0 Paraguai
Julio Libonatti, 43′
Blas Saruppo, 71′
Raúl Echeverría, 76′
Jogo 4
23 de Outubro de 1921 – Campo do Sportivo Barracas, Buenos Aires – 10.000 pag
Uruguai 2 x 1 Brasil
Ángel Romano, 1′
Ángel Romano, 8′
Jogo 5 Zezé, 53′
30 de Outubro de 1921 – Campo do Sportivo Barracas, Buenos Aires – 35.000 pag
Argentina 1 x 0 Uruguai
Julio Libonatti, 57′ Jogo 6

.:: Tabela de Classificação ::.

Classificação Geral do Torneio
Seleções (Treinador) Pts Jgs Vit Emp Der GP GC Sg
ARGENTINA (Pedro Calomino) 6 3 3 0 0 5 0 0
BRASIL (Ferreira Netto) 2 3 1 0 2 4 3 1
URUGUAI (Ernesto Fígoli) 2 3 1 0 2 3 4 -1
PARAGUAI (José Laguna/ARG) 2 3 1 0 2 2 7 -5
.:: Principais Artilheiros ::.
Principais Artilheiros do Torneio
Atleta Seleção Clube Gols Jogos
Julio LIBONATTI Argentina Newell’s Old Boys 3 3
Ernesto MACHADO Brasil FC Fluminense/RJ 2 3
Ángel ROMANO Uruguai Nacional 2 3
Blas SARUPPO Argentina Sportivo Barracas 1 2
Gerardo RIVAS Paraguai Sem Registro 1 3
Ildefonso LÓPEZ Paraguai Sem Registro 1 3
José PIENDIBENE Uruguai CA Peñarol 1 3
Aníbal CANDIOTA Brasil CR Flamengo/RJ 1 3
# Outros Goleadores: Echeverría (Argentina); Zezé (Brasil);
# Total de Gols: 14; Média: 2,3 por partida.

.:: Campo do Club Sportivo Barracas ::.

Estádio do Sportivo Barracas, capacidade 35.000. (Foto: wikipedia.org)

.:: As Equipes – The Teams ::.

Brasil (Brazil) Argentina
GO
GO
DF
DF
DF
MD
CM
ME
ME
AT
AT
AT
AT
AT
AT
AT
AT
Kuntz (Clube de Regatas Flamengo)
Carnaval (São Cristóvão Football Club)
Barata (América Football Club)
Caratório (Andarahy Football Club)
Telefone (Clube de Regatas Flamengo)
Laís (Fluminense Football Club)
Alfredinho (Botafogo Football Club)
Dino (Clube de Regatas Flamengo)
Pena (Curitiba Football Club)
Zezé (Fluminense Football Club)
Frederico (Bangu Atlético Club)
Candiota (Clube de Regatas Flamengo)
Maxabomba (Curitiba Football Club)
Nonô (Clube de Regatas Flamengo)
Paulo Vianna (Fluminense Football Club)
Machado (Fluminense Football Club)
Orlandinho (Clube de Regatas Flamengo)
GO
GO
DF
DF
MC
MC
MC
MC
MC
AT
AT
AT
AT
AT
AT
AT
Ernesto Kiessel (CA Huracán BA)
Américo Tesorieri (CA Boca Juniors)
Florindo Bearzotti (Belgrano Rosario)
Adolfo Celli (CA Newell’s Old Boys)
Miguel Dellavalle (Belgrano Córdoba)
Alfredo Elli (CA Boca Juniors)
José Alfredo López (CA Boca Juniors)
Juan Salvador Presta (CA Porteño)
Emilio Solari (Nueva Chicago)
Pedro Calomino (CA Boca Juniors)
Jaime Chavín (CA Huracán BA)
Raúl Echeverría (Estudiantes LP)
Vicente González (Gimnasia Mendoza)
Julio Libonatti (CA Newell’s Old Boys)
Blas Saruppo (Sportivo Barracas)
Gabino Sosa (Central Córdoba Rosario)
DT: Ferreira Viana Netto DT: Bleo Pedro Fournol “Calomino”
.:: As Equipes – The Teams ::.
Paraguai (Paraguay) Uruguai (Uruguay)
GO
GO
DF
DF
MC
MC
MC
MC
AT
AT
AT
AT
AT
AT
Ángel PORTALUPPI
Manuel RADICE
Ramón GONZÁLEZ
Venancio PAREDES
Isidoro BENÍTEZ CASCO
Alejandro DELGADO
Manuel FLEITAS SOLICH
Arsenio RODRÍGUEZ
Darío LIMA
Ildefonso LÓPEZ
Gerardo RIVAS
Daniel SCHAERER
Francisco VERA
Agustín ZELADA
GO
GO
DF
DF
DF
MC
MC
MC
MC
MC
MC
AT
AT
AT
AT
AT
AT
AT
Manuel Beloutas (Universal Footbal Club)
Pedro Casella (Belgrano Football Club)
José Benincasa (Peñarol Montevideo)
Alfredo Foglino (Nacional Montevideo)
O. Bianchi (Charley Football Club)
Esteban Ruibal (Central Fútbol Club)
Fausto Broncini (Central Fútbol Club)
Marcello Lietti (Universal Footbal Club)
Sebastián Marroche (Nacional Montevideo)
Juan Molinari (Universal Footbal Club)
Alfredo Zibechi (Nacional Montevideo)
Antonio Cámpolo (Peñarol Montevideo)
Norberto CASANELLO (Wanderers)
Ladislao Pérez (Universal Footbal Club)
José Piendibene (Peñarol Montevideo)
Ángel Romano (Nacional Montevideo)
Pascual Somma (Nacional Montevideo)
Luis Villazú (Club Atletico Lito)
DT: José Durand Laguna (ARG) DT: Ernesto Fígoli

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