16/04/1952 – Brasil 4 x 2 Uruguai

.:: Campeonato Pan-Americano de 1952 ::.
Em pé: Djalma Santos, Ely, Nilton Santos, Castilho, Brandãozinho e Pinheiro;
Agachados: Friaça. Ademir Menezes, Baltazar, Didi, Rodrigues e o Massagista;
Credit: museudosesportes.blogspot.com.br
Ficha Tecnica
Brasil 4 x 2 Uruguai
Pan-American Championship 1952
Ficha Técnica
• Competição (Tournament): I Campeonato Pan-Americano de 1952 – 3º Jogo
• Data (Date): Quarta-Feira, 16 de Abril de 1952
• Estádio (Stadium): Nacional Martínez Pradanos, em Santiago do Chile
• Público (Attendance): 40.000 expectadores presentes
• Árbitro (Referee): Charles Sunderland (Inglaterra / England)
• Assistente 1 (Assistant Referee 1): Charles Dean (Inglaterra / England)
• Assistente 2 (Assistant Referee 2): John Manning (Inglaterra / England)
• Quarto Árbitro (Fourth Oficial): Sem Registro (no Registry)
Advertências | Cautions | Sent Off Advertências | Cautions | Sent Off
Ely, aos 12’/2º Óscar Míguez, aos 12’/2º
Gols | Goals | Goles Gols | Goals | Goles
1-1 Didi, aos 24’/1º 1-0 Óscar Míguez, aos 9’/1º
2-1 Baltazar (cabeça), aos 25’/1º 2-4 Nelson Cancela (pen), aos 52’/2º
3-1 Pinga, aos 39’/1º
4-1 Rodrigues, aos 21’/2º
Brasil – Brazil Uruguai – Uruguay
Go
Df
Df
Df
Mc
Mc
At
At
At
At
At
01 Carlos Castilho
04 Djalma Santos
02 Pinheiro (Gérson dos Santos)
03 Nilton Santos
06 Ely Amparo [Expulso]
05 Brandãozinho
07 Friaça (Bauer)
08 Didi
09 Ademir Menezes ©
10 Baltazar (Pinga)
11 Rodrigues Tatu
Go
Df
Df
Mc
Mc
Mc
At
At
At
At
At
Roque Gastón Máspoli
Matías González
Héctor Vilches
Víctor Rodríguez Andrade
Uribe Durán (N. Cancela)
Omar Ferreira
Alcides Ghiggia (J.C. Britos)
Julio Pérez
Óscar Míguez [Expulso]
Julio César Abbadíe (W. Loureiro)
Ernesto Vidal (L. Castro)
Head Coach: Zezé Moreira Head Coach: Juan López Fontana
Mc
At
Df
Bauer, aos 17’/2º
Pinga Robles, aos 30’/2º
Gérson dos Santos, aos 41’/2º
At
At
At
At
Washington Loureiro, no Intervalo
Nelson Cancela, aos 20’/2º
Julio César Britos
Ramón Castro
Tempo Regulamentar Prorrogação Penalidades
1º T 2º T Final 1º T 2º T Final Normal Altern Final
3 x 1 1 x 1 4 x 2
● Jogo válido pelo Campeonato pan-Americano de 1952, no Chile;
● Primeiro confronto entre as seleções do Brasil e Uruguai depois da Copa do Mundo de 50;
● Elenco da Seleção Brasileira na Competiçao: www.jogosdaselecaobrasileira.wordpress.com
● Tabela do Torneio: www.rsssf.com/pan-american-chapionship-1952
● O Campeonato Pan-Americano de Futebol era uma competição disputada por países da América do Sul, América Central, Caribe e América do Norte.
● Sistema de Disputa: 6 times jogando entre si em turno único com pontos corridos;

.:: Galeria de Imagens ::.
Formação do Brasil que goleou os uruguaios pelo Pan-Americano;
Credit: www.impedimento.org
Ficha dos Atletas que Participaram da Partida
Atleta Alcunha Clube Jogos Gols
Carlos José Castilho Castilho Fluminense FC 7 7
Djalma dos Santos Djalma Santos Portuguesa-Desp 3 0
João Carlos Batista Pinheiro Pinheiro Fluminense FC 4 0
Nílton Reis dos Santos Nílton Santos Botafogo FR 10 0
Antenor Lucas Brandãozinho Portuguesa-Desp 4 0
Ely do Amparo Ely CR Vasco da Gama 14 0
Waldir Pereira Didi Fluminense FC 4 1
Albino Friaça Cardoso Friaça CR Vasco da Gama 13 1
Ademir Marques de Menezes Ademir Menezes CR Vasco da Gama 37 26
Oswaldo da Silva Baltazar SC Corinthians Pta 12 8
Francisco Rodrigues Rodrigues Tatu SE Palmeiras 7 3
José Lázaro Robles Pinga Portuguesa-Desp 6 5
José Carlos Bauer Bauer São Paulo FC 16 0
Gérson dos Santos Gérson Botafogo FR 1 0
Alfredo Moreira Júnior Zezé Moreira CBD 4 Jogos
● Estreantes: Gérson dos Santos, do Botafogo do Rio;
● Último Jogo: Albino Friaça Cardoso;

Crônica do Jogo

Em 16 de abril de 1952, vinte e um meses depois do profundo silêncio do Maracanazo, Brasil e Uruguai pisaram no gramado do Estádio Nacional do Chile para seu primeiro encontro desde a tarde em que a Celeste calou 200 mil cariocas. A imprensa brasileira tratou o duelo como uma oportunidade de vingança. Sabia-se que a partida estava longe do peso da decisão de um Mundial. Sabia-se que os times estavam mudados, que Obdulio Varela sequer estaria em campo, mas ainda assim eram novamente Brasil e Uruguai. E, se os brasileiros tentavam apagar a todo custo suas memórias, os orientais ainda mantinham a base de 1950.

Isso todos sabiam. O que não se sabia, nem foi possível desconfiar, é que, logo naquele duelo, o herói da virada no Maracanã se despediria para sempre do selecionado charrua. Não era planejado e ninguém preparou um adeus mais digno. Aos 25 anos, faltava-lhe ainda muito tempo de carreira, e nessa altura da vida não surgira a chance de se transferir para a Itália, naturalizar-se e defender a Azzurra – mudança de cores que a FIFA então permitia. Mas foi assim mesmo. Em 16 de abril de 1952, justamente num jogo contra o Brasil, Alcides Edgardo Ghiggia fez seu último jogo pelo Uruguai.

Naquela noite, mesmo com todo o peso do jogo – perante a história e dentro do torneio –, uma vitória do Brasil valeria cinco mil cruzeiros. O valor seria dividido entre todos os que fossem a campo. Caso entrassem os três reservas permitidos pelo regulamento, cada escalado embolsaria menos de 360 dinheiros. No centro do Rio, o comércio empregava moças para trabalhar no caixa com salários iniciais de 1.500 cruzeiros. Um Chevrolet Bel Air, modelo top da marca, saía por 114 mil cruzeiros.

Se faltava o grande capitão Obdulio, ainda estavam presentes seis titulares do Maracanã: Máspoli, González, Andrade, Julio Pérez e Ghiggia começaram o duelo da vendeta. O Brasil, sim, era completamente outro. Já havia mais nomes que seriam campeões mundiais em 1958 do que aqueles que haviam sido titulares na tristeza de 1950. A escalação do reencontro teve Castilho, Djalma Santos, Pinheiro, Nílton Santos, Ely do Amparo, Brandãozinho, Friaça, Didi, Ademir Menezes, Baltazar e Rodrigues. Somente Ademir e Friaça entraram em campo no Maracanazo.

O novo Brasil colocou o Uruguai na roda em pouco tempo. Aos 22, Didi venceu Máspoli com um chutaço e fez o primeiro. Aos 36, o palmeirense Francisco Rodrigues – que já havia tido um anulado – cobrou falta e dobrou a vantagem. Pela rivalidade, pela lembrança de 1950 e pela iminência do fim das chances uruguaias, a partida virou batalha. A pancadaria correu solta de um lado a outro. O inglês Geodfrey Sunderland, que apitava o encontro, fez vista grossa. Friaça teve os cabelos puxados pelo ponteiro Vidal e respondeu com pontapés. Ely deu uma entrada violenta que obrigou Julio Pérez a ser substituído. Ademir passou a ser caçado por Matías González. No segundo tempo, até o policiamento teve de entrar em campo para apartar os jogadores, enquanto Ely e Miguez acabariam sendo expulsos.

A todas essas, Ghiggia não conseguia repetir as escapadas do Maracanã. Seu marcador era um tipo com muito mais categoria que Bigode: agora se tratava de Nílton Santos. Ainda assim, foi graças a Ghiggia que sairiam os dois gols celestes. O Uruguai descontou aos 10 do segundo tempo, num escanteio cobrado por ele na cabeça de Loureiro. Depois, o Brasil ensaiaria uma goleada, com gols de Baltazar e Pinga (que havia entrado no segundo tempo) aumentando a vantagem para 4 a 1. Caberia a Ghiggia seguir acreditando. No último minuto de jogo, ele finalmente venceu a corrida contra Nílton Santos, invadiu a área brasileira e aí… aí Nílton fez o que todo brasileiro deve ter desejado em 1950: acertou um soco no charrua antes que ele pudesse chutar.

Vá saber o que seria da história do mundo se Bigode tivesse feito o mesmo naquela tarde no Maracanã. A falta de Santos virou pênalti, que só foi cobrado após enorme refrega, aos 52 minutos da etapa complementar. Cancela bateu e concluiu o placar: 4 a 2 para o Brasil;

Ghiggia, por sua vez, nunca mais entrou em campo para defender o Uruguai. Não porque não tivesse bola, mas por não estar mais em Montevidéu. Em 1953 ele partiu a Roma, onde ficou por dez anos, e passou a jogar pela Seleção Italiana. Don Alcides se despediu com apenas 17 partidas pela celeste, todas disputadas num intervalo de menos de dois anos e NENHUMA delas dentro do Uruguai. Ghiggia atuou pela celeste entre maio de 1950 e abril de 1952, fazendo quatro gols – um em cada partida da Copa do Mundo, incluindo o maior de todos. Estreou contra o Brasil, pela extinta Taça Rio Branco, virou lenda contra o Brasil, no Maracanazo, e se despediu contra o Brasil, num jogo que ninguém mais lembra. Um adeus discreto, quase incógnito, como sempre foi Ghiggia fora de campo. (Fonte: http://www.impedimento.org)


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