Excursão da Seleção Brasileira a Europa em 1956

.:: Excursão da Seleção Brasileira ::.
Em pé: Djalma Santos, De Sordi, Nilton Santos, Gilmar, Zózimo e Roberto Balagero;
Agachados: Mário Américo (massagista), Sabará, Wálte, Gino, Didi, Canhoteiro e Mão de Pilão;
Crédito: www.robertoassaf.com.br

É interessante lembrar que faz neste mês de abril 60 anos da excursão pioneira da Seleção Brasileira ao exterior. A CBD, antecessora da CBF, começava a costurar ali a conquista da sua primeira Copa do Mundo. Logo após o fracasso no Sul-Americano disputado no Uruguai, em fevereiro de 1956, a entidade dirigente do nosso futebol trocou de técnico, o gaúcho Oswaldo Brandão pelo carioca Flávio Costa, e promoveu a inédita “viagem de estudos à Europa”, proposta pelo novo comandante.

Flávio convenceu o presidente da CBD, Sylvio Correia Pacheco, que os principais jogadores do país precisavam ganhar efetivamente maior experiência, enfrentando adversários fortes e tradicionais em seus domínios, e que iniciativa de tal porte poderia ainda ampliar a abertura do rico mercado do velho continente para os grandes clubes brasileiros.

Argumentou com sabedoria, o já então veterano treinador, 50 anos de idade, que a queda precoce no Mundial de 1954, realizado na Suíça, também ocorrera por causa do despreparo de craques e de cartolas. Resumindo, Flávio lembrou que havíamos sido sobretudo vulneráveis sob o ponto de vista emocional, com dificuldade para nos adaptarmos a ambientes de competição, e que os craques ora se perderam pelo excesso de entusiasmo, ora pelo medo, principalmente do grande time do torneio, a Hungria de Ferenc Puskas, que acabou de fato eliminando o Brasil, com vitória de 4 a 2 em Berna.

No dia 6 de abril de 1956, uma delegação integrada por 22 jogadores, além de Flávio e Pacheco, entre outros, embarcou num Constellation da Panair e seguiu rumo a Lisboa, primeira escala de uma excursão que representou o passo inicial para a consagração que viria dois anos mais tarde, na Suécia.

A excursão começou com a vitória de 1 a 0 sobre Portugal, graças a uma bicicleta de Gino Orlando, centroavante do São Paulo. “O Brasil nos venceu com um gol de tesoura”, explicaram os jornais locais. A passagem por Lisboa foi tranqüila, mas jogadores e dirigentes alimentaram o folclore. Em Viena, os cartolas invadiram o gramado para peitar o árbitro iugoslavo Mirko Romcevic, que anulara dois gols. Em Praga, a rapaziada divertiu-se a valer com a neve que se acumulava na porta do hotel, levando os seus funcionários e os turistas a um algum constrangimento. Em Istambul, houve quem exigisse o prato oferecido pelo maître, trutas, especialidade de um restaurante, “ao natural”. Em Londres, um atacante apareceu no salão reservado ao chá das cinco de dorso nu, trajando uma toalha enrolada na cintura, procurando sabão de coco para o banho.

No campo de jogo, enfim, até que a Seleção não se saiu tão mal. Suportou a nevasca em Zurique e em Praga, dobrou a pancadaria dos turcos, e aprendeu muito com as lições táticas que tomou nas derrotas para a Itália e a Inglaterra. O relatório formulado após a excursão levou a CBD a imaginar o plano de trabalho que seria posto em prática na Suécia. E que daria enfim ao Brasil o seu primeiro título mundial.

Vale lembrar que quando a delegação voou para Lisboa os dois maiores craques da história do nosso futebol ainda não freqüentavam a Seleção. Garrincha fizera apenas um jogo pela equipe, em setembro de 1955, 1 a 1 com o Chile, e Pelé era um ilustre desconhecido, além dos limites da cidade paulista de Bauru. É importante concluir lembrando que sete dos 22 jogadores que viajaram foram campeões mundiais em 1958: Gilmar, Djalma Santos, Nílton Santos, Oreco, De Sordi, Zózimo e Didi. (Fonte: robertoassaf.com.br)


.:: Amistoso – 1956 – Friendly ::.
Em pé: Djalma Santos, De Sordi, Nilton Santos, Zózimo e Roberto Balagero e Gilmar;
Agachados: Sabará, Wálte, Gino, Didi, Canhoteiro e Mário Américo (massagista);
Crédito: blogdoramonpaixao18.blogspot.com.br
Elenco da Seleção Brasileira
Atleta Alcunha Clube J G
1 Go Luis Moraes Cabeção SC Corinthians Pta.
2 Go Gylmar dos Santos Neves Gylmar SC Corinthians Pta.
3 Df Djalma dos Santos Djalma Santos Port. Desportos
4 Df Nílton dos Santos Nílton Santos Botafogo FR
5 Df Valdemar Rodrigues Martins Oreco SC Corinthians Pta.
6 Df Paulo de Almeida Ribeiro Paulinho de Almeida CR Vasco da Gama
7 Df Newton de Sordi De Sordi São Paulo FC
8 Df Marcos Cortez Pavão CR Flamengo
9 Df Zózimo Alves Calazans Zózimo Bangu AC
10 Mc José Mendonça dos Santos Dequinha CR Flamengo
11 Mc Valdir Pereira Didi Botafogo FR
12 Mc Francisco Ferreira de Aguiar Formiga Santos FC
13 Mc Roberto Belangero Roberto Belangero SC Corinthians Pta
14 At Válter Marciano de Queiroz Válter Marciano CR Vasco da Gama
15 At Álvaro José Rodrigues Valente Álvaro Santos FC
16 At José Ribamar de Oliveira Canhoteiro São Paulo FC
17 At Benedito Custódio Ferreira Escurinho Fluminense FC
18 At Evaristo de Macedo Filho Evaristo de Macedo CR Flamengo
19 At Gino Orlando Gino Orlando São Paulo FC
20 At Larry Pinto de Faria Larry SC Internacional
21 At Paulo de Almeida Paulinho CR Flamengo
22 At Onofre Anacleto de Souza Sabará CR Vasco da Gama
Coach: Flávio Rodrigues Costa Flávio Costa Conf. Bras. Desportos
#. Acompanharam oficialmente a excursão os locutores Luís Mendes, Oduvaldo Cozzi e Pedro Luís Paolielo e os repórteres Geraldo Romualdo da Silva e Indaiassu Leite;
# Links Externos (External Links): www.robertoassaf.com.br/

.:: Campanha na Excursão ::.

Domingo, 8 de Abril de 1956 – Amistoso Oficial
Estádio Nacional do Jamor, Oeiras (Portugal) – cerca de 55.000 pessoas
Portugal 0 x 1 Brasil
Jogo Gino Orlando, 52′

Quarta-Feira, 11 de Abril de 1956 – Amistoso Oficial
Estádio Hardturm, em Zurique, Suiça – 23.033 expectadores
Suíça 1 x 1 Brasil
De Sordi (contra), 20′ Jogo 2 Gino Orlando

Domingo, 15 de Abril de 1956 – Amistoso Oficial
Platerstadion, em Viena, Áustria – Cercad de 55.000 pessoas
Áustria 2 x 3 Brasil
Rudolf Sabetzer, 16′
Rudolf Sabetzer, 77′
Jogo 3 Gino Orlando, 73′
Zózimo, 75′
Didi, 87′

Sábado, 21 de Abril de 1956 – Amistoso Oficial
Estádio Armady, em Praga, Tchecoslováquia – cerca de 45.000 pessoas
Tchecoslováquia 0 x 0 Brasil
Jogo 4

Quarta-Feira, 25 de Abril de 1956 – Amistoso Oficial
Estádio Giuseppe Meazza “San Siro”, em Milão, Itália – 70.00 pessoas
Itália 3 x 0 Brasil
Giuseppe Virgili, 13′
Giuseppe Virgili, 62′
De Sordi (contra), 76′
Jogo 5

Terça-Feira, 1 de Maio de 1956 – Amistoso Oficial
Estádio Mithatpasa, em Istambul, Turquia – 26.730 pagantes
Turquia 0 x 1 Brasil
Jogo 6 Djalma Santos, 64′

Quarta-Feira, 9 de Maio de 1956 – Amistoso Oficial
Estádio Wembley, em Londres, Inglaterra – cerca de 97.000 pessoas
Inglaterra 4 x 2 Brasil
Tommy Taylor, 3′
Colin Grainger, 5′
Tommy Taylor, 65′
Colin Grainger, 83′
Jogo 7 Paulinho, 53′
Didi, 55′

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