17 de Junho de 1972 – Brasil 3 x 3 Seleção Gáucha

Imagem do amistoso entre Seleção Gaúcha e Seleção Brasileira no Beira-Rio;
Crédito: www.bazarshekinah.wixsite.com
Ficha Tecnica
Brasil 3 x 2 Sel. Gaúcha
Friendly: Brazil 3 – 3 Rio Grande Sul State
Ficha Técnica
• Competição (Tournament): Amistoso Não-Oficial
• Data (Date): Sábado, 17 de Junho de 1972
• Estádio (Stadium): SC Internacional – Gigante da Beira-Rio, em Porto Alegre/RS
• Público (Attendance): 110.000 expectadores – Renda: Cr$: 612.126,00 (Recorde no RGS)
• Árbitro (Referee): Robert Heliés (França / France)
• Assistente 1 (Assistant Referee 1): Sem Registro (No Registry)
• Assistente 2 (Assistant Referee 2): Sem Registro (No Registry)
• Quarto Árbitro (Fourth Official:): Sem Registro (No Registry)
Advertências | Cautions | Sent Off Advertências | Cautions | Sent Off
Nenhum (none) Nenhum (none)
Goals | Gols | Goles Goals | Gols | Goles
Gol 1-1 Jairzinho, aos 7’/2º Gol 1-0 Tovar, aos 3’/1º
Gol 2-2 Paulo Cézar, aos 14’/2º Gol 2-1 Carbone, aos 10’/2º
Gol 3-3 Rivelino aos 41’/2º Gol 3-2 Claudiomiro, aos 37’/2º
Brasil – Brazil Seleção Gáucha
Go
Ld
Za
Za
Le
Mc
Mc
Mc
At
At
At
01 Émerson Leão (Paulo Sérgio)
04 Zé Maria Alves
02 Britto Ruas
03 Vantuir
06 Marco Antônio
05 Clodoaldo
08 Wilson Piazza
10 Roberto Rivelino
07 Jairzinho
09 Leivinha
11 Paulo César Caju
Go
Df
Df
Df
Df
Mc
Mc
Mc
At
At
At
Schneider [Inter]
Espinosa [Grêmio]
Ancheta [Grêmio]
Figueroa [Inter]
Everaldo [Grêmio]
Carbone [Inter]
Tovar [Inter]
Torino [Grêmio]
Valdomiro [Inter]
Claudiomiro [Inter]
Oberdi [Grêmio] (Mazinho)
Coach: Zagallo Coach: Aparício Viana e Silva
Go Paulo Sérgio # Mazinho [Grêmio]
Tempo Regulamentar Prorrogação Penalidades
1º T 2º T Final 1º T 2º T Final Normal Altern Final
0 x 1 3 x 2 3 x 3
# Jogos contra clubes e ou combinados não considerados oficiais pela FIFA;
# Jogo de preparação do Brasil visando a suá estréia na Taça da Independência;
# Na preliminar: Seleção Olímpica 4 x 1 Hamburgo (Alemanha);
# Brasil Principal: Camisa Amarela, Cação Azul e Meias Brancas;
# Seleção Gaúcha: Camisa Branca, Cação Branco e Meias Brancas;
# Próximo Jogo: 28/06 – Brasil x Tchecoslováquia, Macaranã, Rio de Janeiro, Minicopa;

.:: Galeria de Imagens ::.
Em pé: Espinosa, Schneider, Ancheta, Figueroa, Everaldo e Carbone;
Agachados, Valdomiro, Tovar, Claudiomiro, Oberti e Torino;
Crédito: www.bazarshekinah.wixsite.com

Crônica do Jogo

Em 1972, o Brasil vivia seu oitavo ano sob o regime militar. Era o auge da repressão, amparada pelo Ato Institucional nº. 5, e do Milagre Brasileiro, época de grande desenvolvimento econômico – que trouxe mais concentração de renda e aumento da pobreza. Quem governava o país desde 1969 era Emílio Garrastazu Médici, terceiro militar de uma linha sucessória que envolve cinco. Ao lado do uso indiscriminado da violência e dos desaparecimentos forçados, havia a necessidade de afirmar a ditadura diante da sociedade e o futebol foi estrategicamente pensado.

Desde a conquista do tricampeonato mundial em 1970, a Seleção Brasileira de Futebol se tornou um alicerce para a legitimação do regime. Uma espécie de cartão de visita, como as grandes obras públicas, as propagandas governamentais de muita qualidade, a chegada da TV a cores e o ufanismo explícito em vários tipos de arte. Essa série de recursos de propaganda política cedia ao Brasil um aspecto de país vitorioso regido por um governo eficiente.

Completou-se, em 1972, o Sesquicentenário da Independência política do país e, integrando diversas comemorações, foi criada a Taça Independência. A competição – que também ficou conhecida como Minicopa – reuniu 20 seleções, exceto as únicas europeias campeãs do Mundial até então, a Alemanha Ocidental, Inglaterra e Itália. A justificativa era óbvia: a intenção do evento era muito mais política que propriemente esportiva.

O então treinador da Seleção era Mário Jorge “Lobo” Zagallo, substituto de João Saldanha, militante do Partido Comunista. No dia 15 de maio de 1972, Zagallo anunciou os nomes do jogadores convocados para a disputa da Taça Independência. Entre eles, não estava o do lateral esquerdo Everaldo, único representante do futebol gaúcho na conquista do Tri, no México, em 70. Desde a afirmação na Copa, o lateral gremista era titular incontestável e, para jogar a Minicopa, sequer foi cogitado para a reserva.

Um evento que tinha por objetivo integrar as regiões do país e exaltar o ufanismo obteve um resultado totalmente contrário. Assim como em 1835, o Rio Grande do Sul se rebelou contra o Brasil. Não se tratava de qualquer tipo de protesto político, mas apenas de um gesto bairrista como repreensão a pouca representatividade de atletas gaúchos entre os convocados para a Seleção. A atitude teve forte fomento por parte da imprensa, especialmente do Folha Esportiva, diário que na época reunia os principais jornalistas esportivos.

A Seleção Brasileira tinha um amistoso preparatório para a Minicopa marcado em Porto Alegre para o dia 17 de junho. Até a divulgação da lista dos convocados, o adversário estava indefinido, mas pouco demorou para ele aparecer. A Federação Gaúcha de Futebol, na época presidida por Rubens Hoffmeister, propôs a então Confederação Brasileira de Desportos que um combinado de jogadores que atuavam no Rio Grande do Sul desafiasse o Brasil. Inicialmente, o presidente da CBD, João Havelange, ponderou, mas acabou por aceitar.

As provocações antes de a bola rolar eram evidentes e partiram de todos os lados. O treinador da Seleção Gaúcha foi Aparício Viana e Silva, um dos principais articulistas que se pôs contra a escolha feita por Zagallo em vetar a convocação de Everaldo. O próprio Zagallo entrou no clima e disparou contra a imprensa, jogadores e, especialmente, contra o técnico do combinado gaúcho. Por se tratar de um jornalista, o comandante da Seleção Brasileira considerou a escolha um desprestígio para a classe dos treinadores.

O desafio dos gaúchos foi considerado “antipatriótico” por parte da mídia do eixo Rio-São Paulo. Essa adjetivação também foi usada por alguns militares e por João Havelange. Como as provocações não tinham fim, a imprensa gaúcha passou a chamar o presidente da CBD apenas de Jean-Marie. Mesmo nascido no Brasil, Havelange trazia no nome de batismo toda a sua ascendência belga, fato que foi tratado irônico devido as exaltações do nacionalismo feitas pelo dirigente.

O dia 17 de junho de 1972 marcou o maior público da história do Estádio Beira-Rio. Naquele sábado, mais de 110 mil pessoas se reuniram no Gigante da Padre Cacique para apoiar o Estado em detrimento do País. A Seleção Gaúcha – que se tratava, na verdade, de um combinado da dupla Gre-Nal – entrou em campo ao lado da Brasileira, portando uma bandeira gigante do Brasil. A execução do hino nacional ficou sobreposta às vaias ensurdecedoras. Algumas bandeiras também foram queimadas pela torcida, fato que foi censurado de aparecer nos jornais.

Toda a tensão acumulada desde o anúncio do amistoso explodiu em um grito único logo aos dois minutos, quando Carbone abriu o placar. Jairzinho empatou aos oito do segundo e Tovar desempatou para os gaúchos dois minutos depois. Paulo César Caju empatou novamente aos 15, Claudiomiro fez o terceiro para o Rio Grande do Sul aos 38 e Rivellino definiu o placar aos 40. No empate em 3 a 3, a Seleção Brasileira nunca esteve a frente no resultado.

A não convocação de Everaldo, para muitos que estavam ali, era algo mínimo diante do cenário nacional. Os gritos eram contra um Brasil fraudado e imaginado por civis e militares que por 21 anos levaram o país ao período mais sombrio de sua história recente. Tal qual fez o regime militar, quem estava na arquibancada também usou do esporte como plataforma para fim político. (Fonte: radaresportivoufsm.wordpress.com)


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