Elenco da Seleção Brasileira nos Jogos Olímpicos de Seul 1988

Games of the XXIV Olympiad – 1988 Summer Olympics

.:: Jogos Olímpicos, Seul 1988 ::.

O Torneio de Futebol nos Jogos Olímpicos de Verão de 1988 foi realizado em Seul, na Coréia do Sul, e em outras quatro cidades (Busan, Daegu, Daejeon e Gwangju). A União Soviética ficou com a medalha de outo, o Brasil com a medalha de prata e a Alemanha Ocidental com a medalha de bronze. O atacante brasileiro Romário foi o artilheiro da competição com 7 gols marcados. (Fonte: wikipedia.org)


A medalha de prata em Los Angeles ’84 – história do post anterior – surpreendeu os próprios brasileiros e forçou os dirigentes a abrirem os olhos: se com um time formado de última hora, com jogadores com pouca ou nenhuma experiência de seleção, e sem a colaboração da maioria dos grandes clubes foi possível chegar à final, por que não dedicar um mínimo de planejamento ao time olímpico para chegar a Seul não como azarão, mas com chances reais de ouro? Foi assim que formamos talvez a nossa melhor seleção olímpica de todos os tempos.

Depois da eliminação na Copa de 86, no México, e da saída definitiva de Telê Santana, a CBF anunciou Carlos Alberto Silva para o comando da Seleção. Mineiro como Telê, o novo treinador havia feito boa campanha com o Cruzeiro no Brasileiro daquele ano, resgatando o time celeste da má fase permanente em que esteve na primeira metade da década. E agora tinha a missão de renovar a Seleção, depois da aposentadoria da geração de Falcão, Sócrates, Júnior e Zico. Assim, a formação da seleção olímpica veio naturalmente, ‘casando’ com os critérios do COI e da Fifa de então.

O começo foi complicado: no Pré-Olímpico de Santa Cruz de la Sierra (Bolívia), em abril e maio de 1987, o Brasil só avançou à fase final em segundo lugar no grupo, eliminando Uruguai e Paraguai no saldo de gols após um tríplice empate. No quadrangular decisivo, que apontaria as duas seleções que iriam a Seul, o time de Carlos Alberto Silva estreou perdendo para a Argentina. Depois, contra a Colômbia, saiu perdendo, mas virou e venceu por 2 a 1. Na última rodada, bateu a Bolívia pelo mesmo placar e se classificou – em primeiro lugar, graças aos tropeços dos ‘hermanos’.

Em meados de 1988, o treinador já tinha o time quase definido, após várias experiências. Trazia revelações da Copa União do ano anterior – como o goleiro Taffarel e o zagueiro Aloísio (Inter), o meia Milton (Coritiba) e o meia-atacante Careca (Cruzeiro) -; jogadores um pouco mais rodados e em alta naquele momento (alguns já com experiência de Seleção) – como o zagueiro Ricardo Gomes (Fluminense), o lateral Jorginho e o meia-atacante Bebeto (ambos Flamengo), o meia Neto (Guarani) e os pontas Valdo (Grêmio) e João Paulo (Guarani) -; e alguns já quase veteranos, como o volante Andrade (Flamengo), o meia Geovani (Vasco), o atacante Edmar (Corinthians) e dois remanescentes de Los Angeles: o lateral-direito Luis Carlos Winck (Inter), e o volante Ademir (agora no Cruzeiro). E havia Romário, aos 22 anos, infernizando adversários, fosse com a camisa do Vasco ou com a amarelinha. Um timaço.

Como preparação, o time disputou o Torneio Bicentenário da Independência da Austrália, contra a seleção da casa, a eterna rival Argentina e a Arábia Saudita, e sagrou-se campeão ao derrotar os australianos na decisão por 2 a 0. Depois, passou pela Europa, onde empatou com a Noruega em Oslo (1 a 1), com a Suécia em Estocolmo (1 a 1) e bateu a Áustria em Viena (2 a 0, com um gol antológico de Andrade). E em setembro, a caminho de Seul, ainda deu tempo de passar novamente por Los Angeles e levantar a extra-oficial Copa das Nações, vencendo a seleção olímpica argentina, nos pênaltis, e o América do México por 3 a 0 (três de Romário) na decisão.

Mesmo assim, havia problemas pelo caminho: o lateral-esquerdo Nelsinho, do São Paulo, fraturou o dedão do pé direito e teve de ser cortado às vésperas da estreia. Para seu lugar, veio Mazinho, do Vasco. Andrade, que acabara de trocar o Flamengo pela Roma, só pôde se apresentar dois dias antes do primeiro jogo, e mesmo assim, lesionado. Mas quando o Benfica venceu uma queda de braço com a CBF e anunciou que não liberaria seus recém-contratados Ricardo Gomes e Valdo, não houve o que fazer a não ser lamentar as baicas;

No dia 18 de setembro, enfim, a estreia contra a Nigéria, do atacante Rashidi Yekini. Em jogo duro no primeiro tempo, a goleada brasileira por 4 a 0 só começou a se desenhar aos 14 minutos da etapa final, com Edmar. Depois, Romário marcou duas vezes, e Bebeto completou nos últimos minutos. No dia 20, teríamos de novo a Austrália pela frente: vitória fácil por 3 a 0, três do Baixinho. Três que poderiam ter sido quatro: o atacante converteu um pênalti sofrido por ele mesmo, mas o árbitro mandou voltar a cobrança por invasão. E, desta vez, o goleiro australiano defendeu.

O último adversário da primeira fase seria a Iugoslávia, que reunia vários jogadores que disputariam a Copa da Itália, dali a dois anos. Entre eles, os meias Srecko Katanec e Dragan Stojkovic e o atacante Davor Suker. Mas o Brasil era favorito, credenciado pela boa campanha, e abriu 1 a 0 com o lateral-esquerdo improvisado André Cruz, em uma bomba na cobrança de falta que acertou a trave antes de entrar, aos 25 minutos da primeira etapa. No segundo tempo, Bebeto aproveitou rebote do goleiro após chute de Romário e ampliou, antes de Sabanadzovic descontar. Três jogos, três vitórias, nove gols marcados, só um sofrido. Um belo cartel para apresentar ao adversário das quartas: a Argentina.

Com Andrade começando pela primeira vez nos Jogos como titular, o meio-campo ficou mais compacto. Outra alteração foi a volta de Jorginho, recuperado de problema físico, à lateral esquerda, com André Cruz formando a zaga com Aloísio. Na frente, Bebeto também ganhou a vaga, tendo Romário como parceiro. Mas a vitória brasileira de 1 a 0 não viria através de nenhum dos dois. O meia e capitão Geovani pegou o arqueiro argentino Islas de surpresa com um chute da intermediária, aos 31 minutos do segundo tempo, e marcou o único gol do jogo.

Nas semifinais, uma batalha épica contra o grande time da Alemanha Ocidental, de Thomas Hassler e Jurgen Klinsmann. Os brasileiros saíram atrás: Wuttke levantou cobrança de falta na área, a defesa falhou na linha de impedimento, e o líbero Fach apareceu sozinho para cabecear para o fundo das redes. Mas também de cabeça veio o empate do Brasil: Careca recebeu na ponta direita, foi à linha de fundo e cruzou para Romário marcar. Dois minutos depois, no entanto, por muito pouco não veio também a eliminação: Geovani cometeu pênalti bobo em Klinsmann e, para piorar, recebeu o cartão amarelo que o deixaria de fora da final, caso a Seleção avançasse. Mas Taffarel brilhou pela primeira vez na partida ao defender a cobrança de Funkel.

Um a um no tempo normal e prorrogação, veio a decisão nos pênaltis. E como contra o Canadá, em 1984, o goleiro brasileiro virou herói. Pegou a primeira cobrança, de Janssen. João Paulo fez 1 a 0 Brasil. Klinsmann acertou a trave. Luis Carlos Winck ampliou. Kleppinger descontou para os alemães. Romário converteu o terceiro penal brasileiro. Fach diminuiu de novo para a Alemanha. André Cruz teve o seu defendido por Kamps. Quando já se temia o empate dos europeus, veio a quinta cobrança alemã, com Wuttke. E Taffarel pegou. O Brasil estava, pela segunda vez consecutiva, na final do ouro olímpico.

Na final, o adversário era, ironicamente, uma seleção de um país comunista, a URSS. Que não esteve em Los Angeles – juntamente com seus países-satélites do mundo socialista – ao revidar o boicote sofrido dos países do bloco capitalista aos Jogos de Moscou, em 1980. Mesmo desta vez competindo em igualdade de condições com as outras seleções (o que não acontecia pelo regulamento olímpico antigo que bania profissionais), os soviéticos tinham uma equipe forte o suficiente para chegar à final com méritos, derrotando pelo caminho Argentina e Itália.

Sem Ademir e Geovani, suspensos, o Brasil entrou com Milton ao lado de Andrade e Neto como armador. E foi o substituto do capitão brasileiro que iniciou a jogada do gol brasileiro: o meia do Guarani bateu escanteio fechado, venenoso, para o cabeceio de Romário, livre na pequena área: 1 a 0 aos 29 minutos da primeira etapa. Mas o time vermelho empatou quando Dobrovolski converteu pênalti duvidoso, aos 17 do segundo tempo. Enfrentaríamos outra prorrogação.

Logo aos cinco minutos do tempo extra, os soviéticos tiveram o atacante Tartatchouk expulso. Mas o Brasil não soube aproveitar a vantagem de ter um jogador a mais. O time adversário se fechou e passou a explorar os contra-ataques. E aos 14 minutos, saiu o gol da virada. Após um tiro de meta, o meio-campo brasileiro não cortou, e Savitchev ganhou fácil na corrida de André Cruz, antes de tocar por cobertura na saída de Taffarel. O Brasil tentou o empate nos últimos 15 minutos, mas também teve um jogador expulso (o atacante Edmar, que havia entrado no lugar de Neto), e teve de lamentar a prata – ao contrário de se contentar com ela, como em 1984. Em Seul, tivemos tudo para levar o ouro.

Ou quase tudo: na véspera da final estourou uma crise entre cartolas e jogadores envolvendo a premiação por chegar à decisão. O vice-presidente da CBF, Nabi Abi Chedid, acusou os atletas de “mercenários”. E estes, liderados por Romário, rebateram afirmando que estavam dispostos a jogar até sem receber nada, somente pela medalha, mas que os dirigentes haviam feito uma proposta, a qual não tinham cumprido.

De todo modo, a Seleção Olímpica de 1988 acabou servindo de vitrine para que vários de seus jogadores trocassem o futebol brasileiro pelo europeu. Ainda durante a preparação para os Jogos, Ricardo Gomes e Valdo trocaram, respectivamente, o Fluminense e o Grêmio, pelo Benfica; o mesmo aconteceu até com veteranos, como o volante Andrade (que trocou o Flamengo pela Roma) e o atacante Edmar (foi do Corinthians para o Pescara italiano). Depois do torneio, Romário foi negociado pelo Vasco com o PSV holandês; o zagueiro Aloísio deixaria o Internacional para jogar no Barcelona; e o meia Milton foi vendido pelo Coritiba ao Como, da Itália. (Fonte: blogs.lance.com.br/memoriadabola


.:: Os Medalhistas de Prata ::.

Uma das formações da seleção brasileira nos Jogos Olímpicos;
Em pé: André Cruz, Taffarel, Luis Carlos Winck, Aloísio, Ademir e Jorginho;
Agachados: Bebeto, Romário, Milton, Geovani (capitão) e Andrade;
Foto: www.twb22.blogspot.com.br
Seleção Brasileira – Brazil National Football Team
Nome Completo Alcunha Clube J G P
Go 01 Cláudio André Mergen Taffarel Taffarel SC Internacional 6 4 1
Go 12 José Carlos da Costa Araújo Zé Carlos CR Flamengo 0 0 1
LD 02 Jorge de Amorim Campos Jorginho CR Flamengo 4 0 1
LD 14 Luis Carlos Coelho Winck Luis Carlos Winck SC Internacional 6 0 2
Za 03 João Batista Viana dos Santos Batista Atlético Mineiro 2 0 1
Za 13 André Alves da Cruz André Cruz AA Ponte Preta 6 1 1
Za 15 Aloisio Pires Alves Aloisio SC Internacional 6 0 1
Le 06 Iomar do Nascimento Mazinho CR Vasco da Gama 0 0 1
Mv 05 Ademir Roque Kaefer Ademir EC Cruzeiro 5 0 2
Mv 16 Milton Luiz de Souza Filho Milton FC Coritiba 6 0 1
Mv 19 Jorge Luis Andrade da Silva Andrade AS Roma ITA 4 0 1
Mc 08 Geovani Faria da Silva Geovani CR Vasco da Gama 5 1 1
Mc 10 Hamilton de Souza Careca EC Cruzeiro 6 0 1
Mc 17 José Ferreira Neto Neto FC Guarani 2 0 1
At 09 Edmar Bernardes dos Santos Edmar SC Corinthians 4 1 1
At 11 Romário de Souza Faria Romário CR Vasco da Gama 6 7 1
At 18 Sérgio Luiz Donizetti João Paulo FC Guarani 3 0 1
At 20 José Roberto Gama de Oliveira Bebeto CR Flamengo 6 2 1
Coach: Carlos Alberto Silva Carlos Alberto Conf. Brasileira de Futebol
Za 04 Ricardo Gomes Raimundo Ricardo Gomes SL Benfica POR
Mc 07 Valdo Cândido Oliveira Filho Valdo SL Benfica POR
# Ricardo Gomes e Valdo não foram liberados pelo Benfica, de Portugal;
]# Site Oficial da FIFA: www.fifa.com/jogos-olimpicos-1988
# O Brasil ficou com a Medalha de Prata.
# Romário foi o artilheiro da competição com 7 gols marcados.

.:: Campanha Brasileira ::.

Primeira Fase – Grupo D
18 de Setembro, 19:00 hs – Daejeon Hanbat Stadium, em Daejeon – 29.512 pag
Brasil – Brazil 4 x 0 Nigéria
Edmar, 58′
Romário, 73′
Romário, 78′
Bebeto, 85′
Jogo 1
20 de Setembro, 19:00 hs – Dong Dae Mun Stadium, em Seoul – 15.000 pag
Brasil – Brazil 3 x 0 Austrália
Romário, 19′
Romário, 56′
Romário, 60′
Jogo 2
22 de Setembro de 1988, 19:00 hs – Daejeon Hanbat Stadium, em Daejeon – 31.200 pag
Brasil – Brazil 2 x 1 Iugoslávia – Yugoslavia
André Cruz, 24′
Bebeto, 55′
Jogo 3 Refik Šabanadžović, 68′
Quartas de Final
25 de Setembro, 19:00 hs – Dong Dae Mun Stadium, em Seoul – 21.800 pag
Brasil – Brazil 1 x 0 Argentina
Geovani, 76′ Jogo 4
Semi-Final
27 de Setembro, 19:00 hs – Olympic Stadium, em Seoul – 65.000 pag
Alemanha Ocidental – West Germany 1 x 1 Brasil – Brazil
Holger Fach, 51′
Pênaltis
Olaf Janssen (Perdeu)
Jürgen Klinsmann (Perdeu)
Gerhard Kleppinger (Fez)
Holger Fach (Fez)
Wolfram Wuttke (Perdeu)
Jogo 5
Pen
0 x 1
0 x 2
1 x 3
2 x 3
2 x 3
Romário, 80′
Pênaltis
João Paulo (Fez)
Luis Carlos Winck (Fez)
Romário (Fez)
André Cruz (Perdeu)
Final
1 de Outubro, 19:00 hs – Olympic Stadium, em Seoul – 74.000 pag
Brasil – Brazil 1 x 2 União Soviética – Soviet Union
Romário, 29′ Jogo 6 Igor Dobrovolski, 60′ (pen)
Yury Savichev, 103′
# Para acessar as escalações das equipes, por favor, clique na palavra JOGO.

.:: Galeria de Imagens ::.
Taffarel Jorginho Batista Ademir
Mazinho Geovani Edmar Careca
Romário Zé Carlos André Cruz Winck
Aloisio Milton Neto João Paulo
Andrade Bebeto Carlos Alberto

.:: Deixe um Comentário ::.
Se você gostou desse post ou do site indique para seus amigo.
Deixe uma crítica ou uma sugestão.

Anúncios

One response to this post.

  1. Posted by Luiz Augusto on 16/11/2016 at 0:27

    Melhor seleção olímpica é sem dúvida de1988

    Responder

Deixe um Comentário, uma opinião

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: